John é o gerente de uma fábrica de vidros bem-sucedida. Infelizmente sua vida pessoal não anda tão bem quanto sua vida profissional. Rachel, a esposa de John, não consegue de jeito nenhum conceber um filho. E, depois de anos tentando, eles decidem adotar uma criança. Com o passar dos anos, entretanto, a vida cheia de dinheiro e luxúrias foi ficando cada vez mais vazia. 

      Sem sentido. 

      Sem propósito.

      É nesse momento em que Rachel propõe ao seu marido que ele participe de um retiro espiritual no interior da cidade composto de monges e frades que passam sua vida inteira ali estudando e dando palestras para grandes empresários e gerentes estressados. De início, John reluta bastante, mas depois que ele conversa com o pastor de sua igreja e descobre que o famoso empresário Leonard Hoffmann largou todo seu dinheiro e sua vida como dono de uma grande empresa para trabalhar como monge dentro do convento, bom, John não conseguiu resistir à vontade de aceitar a proposta da esposa, mesmo que fosse só para conhecer o renomado ex-empresário.

      Chegando no convento, John conhece Simão – nome pelo qual Leonard Hoffmann é conhecido. Ambos começaram a se encontrar quase que diariamente e, assim, Simeão o ajudava a se tornar uma pessoa melhor e enxergar seus próprios defeitos. O objetivo do retiro é participar de uma série de palestras com o tema “A Verdadeira Essência da Liderança”. Muitos enxergam a liderança como o fato de estar no poder, estar mandando em alguém ou estar no topo. Aqui Simeão (antigo Leonard Hoffmann) ensina ao John – e a nós também – qual é o verdadeiro sentido da palavra liderança e como ela influencia as pessoas ao nosso redor.

      Ler esse livro nos dá a sensação de estarmos dentro do convento junto com John e Simão. Os cenários são muito bem descritos e o ambiente muito bem elaborado. O livro é praticamente um livreto de autoajuda sobre liderança, porém escrito em forma romanceada o que, na minha opinião, deixou o conteúdo mil vezes mais gostoso e intrigante.

      O que mais gostei no livro foi a forma simples como o autor explica temas complexos como Poder, Autoridade, Influência, Liderança e Relacionamento. Se há algo que eu aprendi nesse livro e nunca mais esquecerei é a diferença entre Poder e Autoridade:

Poder:
Através dele é possível convencer alguém a fazer algo coercitivamente, ou seja, pela força da posição que ocupa. Mesmo que o outro não esteja disposto a fazê-lo. Um bom exemplo disso é quando o pai de uma criança dá a ordem ao seu filho e ele o obedece puramente com o objetivo de não ser castigado. Se não houvesse castigo ou a perda de um benefício, o filho certamente não o obedeceria.

Autoridade:
É a habilidade de convencer alguém a fazer algo, mas através da influência pessoal que se exerce sobre a pessoa, de maneira que a mesma execute a atividade de boa vontade. Ou seja, é convencer alguém a te obedecer por quem VOCÊ É, e não por sua imposição. Um bom exemplo é aquela antiga frase que ouvimos:
“Eu atravessaria paredes por ele".

21150212_1906246009627926_302484797714516192_n.jpg

      Aqui aprendi que um bom líder não é aquele que manda e desmanda, mas aquele que influencia. Talvez dentro de um ambiente organizacional (empresas e escolas) as coisas funcionem à base do poder. Ou você obedece ou é punido. Mas em igrejas e organizações sociais as pessoas não estão ali por obrigação. Elas estão por prazer ou por livre e espontânea vontade. 

      Eu tenho grande estima pelo maestro da orquestra onde eu toco saxofone atualmente (Alexandre). Para mim ele é o exemplo de líder perfeito. Ele sabe ser duro quando é necessário, mas também sabe ser flexível quando lhe é exigido. Frequentemente meu maestro nos convoca para participarmos de alguns eventos evangelísticos como passeatas em ruas em dias ensolarados de domingo. Embora eu nem sempre esteja fisicamente disposto a participar de todos os eventos – ainda que ele nos convoque por vários domingos consecutivos – sei que ele precisa de mim lá. Ele conta comigo. O mínimo que eu devo fazer é honrar o nosso compromisso e ajudá-lo nesse trabalho, mesmo não estando plenamente disposto. Aprendi com esse livro que meu maestro exerce autoridade sobre mim, ao invés de poder. Eu não o obedeço por imposição. Não temo punições ou perda de benefícios. Obedeço-o, sim, porque reconheço que posso contar sempre com ele e, ele, por sua vez, pode sempre contar comigo.

Liderança é isso. 

      Um elo entre o líder e o liderado. Confiança mútua entre ambas as partes e, mesmo sem talvez nunca ter lido esse livro, meu maestro aplica diariamente a lei da autoridade ao invés da lei do poder.

      Eu já tive um líder que trabalhava aplicando a lei do poder. Ou obedecemos ou caímos fora. Posso assegurar que essa era a pior maneira de se liderar um ser humano. 

      Prometi que essa resenha seria pequena, e espero que tenha sido mesmo. Mas eu disse tudo o que precisava ser dito – ou talvez um pouco mais.

      Esse é um daqueles livros que eu nunca emprestarei nem jogarei fora. Guardo-o com carinho. Lerei para meus futuros filhos e guardarei essa relíquia preciosa por gerações.

      Moral da história:

      John é transformado por uma renovação de entendimento. Ele volta para casa um novo homem depois das palavras com Simeão. Ele aprende o que está escrito no subtítulo do livro: 

      A Essência da Liderança. 

      Depois disso John nunca mais será o mesmo. 

      E certamente você também não.

      Mas qual é a mensagem do livro?

      A verdadeira essencia da liderança está em servir aos outros. Pois até o Filho do Homem veio para servir e não para ser servido. E dar a vida em resgate de muitos.

      Lindo. 

      À propósito, depois dessa resenha fiquei com vontade de reler esse livro. Acho que vou começar hoje mesmo!