Essa é uma história verdadeiramente chocante. Jenny Blake tem uma vida que eu não desejaria a ninguém — nem a mim, nem a você, nem ao meu pior inimigo (se é que tenho algum). Jenny é abusada sexualmente por seu pai quase diariamente. Sempre que ele sente desejo, ele a leva para o quarto e... bem, você já pode inferir o resto. Além de abusar sexualmente dela, seu pai também a agride. Sempre que chega do trabalho cansado e Jenny faz alguma coisa errada — recebe ligações fora do horário, come todos os biscoitos do pote, chega em casa cinco minutos atrasada ou até mesmo tem uma amiga negra — seu pai a espanca com o cinto ou lhe dá um murro no rosto. Isso se repete não somente com Jenny, mas também com sua irmã, Jean Blake, uma irmã invejosa que, se Jenny pudesse, varreria do mapa definitivamente.

      Mas aí você se pergunta: Cadê a mãe dessa garota?

      Bom, sua mãe (cujo nome já não me lembro mais!) representa a típica mãe omissa do século XX. Com medo de também apanhar do marido, ela decide ficar quieta e aceitar todos os abusos dele. Vale lembrar que, quando tentava defender uma das filhas, acabava indo dormir com um belo olho roxo, se é que você me entende. Podemos dizer que a protagonista da história, Jenny Blake, é marcada por traumas, abusos, tristeza, mágoa, sofrimento e solidão. (Eu disse que era chocante.)

      Mas então acontece. Lá estava ela, brilhando ao sol do meio-dia.

      A moeda.

      Jenny, ao ir com sua irmã invejosa para o cinema, atravessa a rua movimentada da Grand Avenue e acaba avistando uma pequena moeda enterrada no asfalto quente. Ela decide não se abaixar para pegá-la, afinal, era uma mísera moeda velha e antiga. Mas algo dentro dela disse que deveria voltar.

— Jenny, pegue a moeda. Esse momento tem algo a ver com seu destino.

Não aguentando o ímpeto, Jenny decide dar meia-volta, abaixar-se e pegar a moedinha do chão. E então...

(foi quando a cadeia de acontecimentos misteriosos começou).

BUM!

O caminhão de laticínios freou para não atropelá-la.

BUM!

Isso fez com que as garrafas tombassem de cima do caminhão e caíssem no meio da rua fazendo um barulho estridente. E então...

BUM!

A porta da loja de artigos de R$ 1,99 abriu e uma mulher, que puxava seu bebê em um carrinho, saiu exatamente quando as três últimas garrafas caíram. Com o susto, ela se virou bruscamente e então...

BUM!

Ao se virar, a mulher esbarra sem querer em Bennett Mahaffey, que por acaso estava indo para casa com seu disco favorito de vinil debaixo do braço. O impacto foi tão forte que fez com que o disco pulasse de seu braço. O disco caiu no chão e começou a rolar rua abaixo, descendo até o final da Grand Avenue. Bennett saiu disparado atrás dele. E então...

BUM!

O bandido percebeu a oportunidade perfeita para assaltar a joalheria da Srta. Shaw. A famosa Srta. Shaw, dona da joalheria, estava organizando diligentemente sua vitrine de joias quando o bandido se aproximou e, violentamente, tomou de suas mãos um colar de pérolas, saindo correndo em seguida rua acima. (Acho que você já sabe no que essa história vai dar.) E então...

BUM!

      Enquanto Bennett Mahaffey se abaixa para pegar seu disco de vinil rolando no chão, o bandido olha para trás para analisar sua distância e verificar se estava sendo seguido. Nesse momento de desatenção, ele acaba tropeçando em Bennett Mahaffey. O bandido cai no chão e a joia da Srta. Shaw é recuperada.

      Acontece que havia mais uma pessoa na história, sentada no banco da esquina, que acompanhou todos os acontecimentos desde o início. Desde o momento em que Jenny Blake agachou-se para pegar a moeda do asfalto quente até o momento em que o bandido tropeçou e caiu no chão. Pete Mason havia visto tudo. Mais tarde, ele contaria à Srta. Shaw que, graças ao fato de Jenny ter-se abaixado para pegar a moeda, todos aqueles acontecimentos ocorreram por causa dela. E que o bandido só foi pego por causa de Jenny. Assim, a Srta. Shaw acaba ligando para Jenny e oferecendo a ela um emprego em sua joalheria.

      Até aqui tudo bem. Mas o que tem de cristão nesse livro?

      Calma, não feche a resenha ainda.


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      A Srta. Shaw também tem lá seus problemas. Como mostra na capa desse livro, ela usa sempre suas luvas brancas. Nunca as tira. Por nada neste mundo. Por que será?

      Acontece que a Srta. Shaw é cristã. (Agora você vai entender a história.) A dona da joalheria acaba ensinando muitas coisas sobre o amor de Deus a Jenny durante o tempo que ambas passam juntas. Jenny aprende sobre amizade, sofrimento e, sobretudo, o perdão de Deus.

      Essa é uma história comovente. Você fica com pena de Jenny o tempo todo. Ela sofre muito, mas no final, percebe que Deus estava sempre presente na vida dela. Ele enviou a Srta. Shaw para ajudá-la nesse momento de dificuldade. Uma verdadeira amiga. Uma conselheira em todos os momentos. E, para nossa surpresa, a Srta. Shaw também precisava de ajuda. E Jenny era a única que podia fazer isso. Jenny aprende, com o perdão de Deus, que também precisa perdoar seu pai. Mas será que ela consegue?

      Mas, afinal, o que uma moeda tem a ver com isso tudo?

      Fazer Jenny abaixar-se para pegar aquela moeda mudou tudo em sua vida, pois todos os outros acontecimentos só ocorreram a partir daquele ato simples. Uma prova de que Deus usa coisas grandes, mas também as pequenas, para nos ajudar em nossas batalhas e sofrimentos.

      Deus está sempre presente em nossas vidas. Ele usa qualquer meio, até mesmo os pequenos detalhes, para nos trazer amigos e refrigério nos tempos mais sombrios da nossa vida. E até mesmo nos ensinar a perdoar.

      E sabe o que mais?!

      Essa ficção se trata de um relato inspirado na história da própria Joyce Meyer! Isso mesmo. Para quem não sabe, Joyce foi abusada por seu pai durante a infância. Joyce Meyer sofreu muito em sua vida, mas Deus usou coisas pequenas para mostrar sua proteção. E então ela decidiu publicar esse livro. Fiquei tocado com essa história. Não sabia que ela havia sofrido tanto, principalmente quando a vemos hoje dando palestras e pregando em vários países.

      Deus está te vendo. Ele irá te socorrer.

      Esse livro me ensinou a perdoar. Me ensinou sobre o perdão de Deus.