Tudo começou na Turquia. Daniel Lawson, junto com sua linda e doce esposa, Jill, só queria passar suas férias tranquilas no Oriente Médio. Conhecer uma nova cultura e aprender algumas palavras em um novo idioma não pareciam ser tarefas difíceis. Eles só não contavam com a pedra.

      Durante as férias de Daniel e sua esposa, enquanto compravam alguns grãos e sementes em uma tenda no mercado central, o vendedor insiste que Jill fique com uma pedra verde. Uma pedra que a ajudaria a ouvir a voz de Deus. Jill insiste que não tem a intenção de aceitar o presente, mas o velho barbudo retruca e enfia o objeto em seu bolso. Logo em seguida, tudo começa a mudar. Dois guardas enormes entram na loja e arrastam o vendedor de grãos à força pelo chão arenoso. Jill e Daniel ficam sem entender nada e, por isso, saem da loja, temendo que o velho estivesse se metendo em alguma encrenca. Mal sabiam eles que eram eles que estavam encrencados.

      Acontece que a pedra que o vendedor enfiou à força no bolso de Jill era uma das doze pedras que os sacerdotes do Antigo Testamento usavam no famoso peitoral de ouro (se não me engano, era a pedra de Levi). Junto com as doze pedras e mais o Urim e Tumim, era possível ouvir a voz de Deus, ou talvez consultá-Lo em ocasiões complexas.
Vemos isso claramente no livro de Números 27:21:

      “Ele deverá apresentar-se ao sacerdote Eleazar, que lhe dará diretrizes ao consultar o Urim perante o Senhor. Josué e toda a comunidade dos israelitas seguirão suas instruções quando saírem para a batalha.”

      Partindo desse princípio, uma dessas doze pedras passa a ser posse de Jill. Entretanto, há mais pessoas interessadas nela. Na verdade, em todas as doze. Daniel nem sequer sabia que elas ainda existiam, até esse exato momento. Mas, por algum motivo, ela chegou até ele. Talvez fosse uma brincadeira de alguém. Talvez fosse uma pedra roubada.

      Talvez fosse Deus enviando-lhe uma mensagem.

      No dia seguinte, Daniel e Jill saem do apartamento para mais uma excursão pela cidade. Dentro do ônibus, Jill percebe que havia esquecido uma peça de roupa no quarto e decide voltar para buscá-la. O tempo passa e ela não retorna. Preocupado com a demora da esposa, Daniel desce do ônibus um pouco atônito, toma o elevador e sobe até seu apartamento. Entretanto...

      Arranca para o fundo do corredor. Ao chegar, um rechonchudo policial de bigodes vira-se para bloquear-lhe a passagem, mas Daniel não tem dificuldade para afastá-lo e entrar no quarto. Então ele a vê – estirada sobre o carpete entre a porta de entrada e a cama, o peito arquejante, a blusa branca ensopada de sangue.
– Jill!

      Daniel empurra os dois policiais e cai de joelhos ao lado dela.

      Jill fora brutalmente esfaqueada. O apartamento fora violentamente vasculhado e, bem, nada foi levado.

      O que eles queriam não estava lá.

      Mas Jill ainda teria algumas últimas palavras para seu marido. Deus havia lhe revelado que Daniel, através desse sofrimento, conseguiria ver a face de Deus. Segundo ela, seu marido havia perdido o primeiro amor. Deus queria restaurar o amor de Daniel pelo seu rebanho. Nem que fosse de maneira tão dolorosa.
“Contra você, porém, tenho isto: Você perdeu o primeiro amor.” Apocalipse 2:4.

      Pulando alguns capítulos do livro para não dar spoiler...

      Daniel volta para os Estados Unidos para realizar um enterro digno de sua esposa. Durante o enterro, o pastor se esforça ao máximo para não chorar (esqueci de dizer que Daniel é pastor de uma grande igreja). Ele não pode se permitir tal fraqueza na frente de toda a congregação. Não, não o orgulhoso e poderoso pastor Daniel Lawson! O inquebrável! Ele tinha de se manter firme. Precisava mostrar para as pessoas que confiava em Deus. Embora, interiormente, o tivesse questionado continuamente.

      Ao voltar para casa, entretanto, outra surpresa o aguardava. Assim que chegou à porta de casa, Daniel e seu filho, Tyler, desceram do Toyota e avistaram um policial na porta da sala de estar. Empurrando-o, o pastor entra em sua casa e, para sua surpresa...

      Encontrou as duas mesinhas de nogueira tombadas e os abajures de bronze – presentes de aniversário de casamento que haviam dado um ao outro oito anos antes – no chão, as cúpulas bege, tortas e quebradas. O sofá estava com as costas para cima – e todas as almofadas tinham sido abertas a golpes de faca, com o enchimento amarelo saindo pelas aberturas.

      Sua casa fora arrombada e, como no apartamento na Turquia, nada foi levado.

      O que eles queriam também não estava lá.

      Alquebrado, desiludido, sem esperanças e deprimido, Daniel e Tyler decidem partir juntos para o Oriente Médio em busca de respostas. Será que a pedra que fora dada a Jill, agora em posse de Daniel, realmente tinha o poder de revelar a face de Deus? Se sim, Daniel precisava descobrir. Ele precisava perguntar a Deus por que Ele a levou. O que Jill havia feito para morrer de maneira tão cruel?

      Mas e o terrorista?

      Segura aí...

      Ibrahim El-Magd. Esse é o nome dele. De alguma maneira, de forma estranha, ele também descobriu o segredo das pedras. Ele quer realizar um ataque terrorista em massa nos Estados Unidos. Porém, para conseguir tal façanha, será necessária uma confirmação. O plano é grande demais para ser feito sozinho. Alá precisa confirmar sua vontade. Ibrahim precisa ver a face de Alá. Ele quer saber se o ataque terrorista é realmente a vontade de Alá. E Ibrahim vai passar por cima de tudo e todos para juntar as doze pedras. Nem que seja necessário matar seu próprio irmão. E ele vai.

      Opa, falei demais.

      Daniel segue, então, em busca das outras onze pedras das tribos de Israel. Uma ele já tem. Só faltam as outras onze e o Urim e Tumim. Para isso, ele irá contar com a ajuda de uma linda – e um pouco provocante – arqueóloga judia não praticante chamada Hellen Zimmerman. A doutora Zimmerman também tem lá seus planos obscuros. Por motivos que só ela conhece, o mistério das pedras também lhe interessa. E ela irá fazer uso de todos os meios possíveis – todos que você puder imaginar – para achar essas relíquias. Inclusive deitar-se com poderosos empresários em troca de permissões de escavação em áreas não permitidas.

      Inclusive deitar-se com o pastor Daniel.

      Bem, pelo menos era o que ela achava que funcionaria antes de conhecer o pastor pessoalmente e ver que ele não era como os outros pastores com quem ela havia se relacionado em toda a sua vida. Daniel era diferente.

      Há mais um personagem nessa história eletrizante. Nayra Fazil é a sobrinha do terrorista. Ela foi colocada intencionalmente no caminho de Daniel para descobrir se ele conseguiria encontrar as pedras e, quando as achasse, Nayra contaria tudo para seu tio, o terrorista Ibrahim. Em seguida, as pedras seriam roubadas e usadas para se comunicar com Alá. Nayra, porém, acaba mudando de ideia depois que se apaixona por ninguém mais, ninguém menos que...

      No final da trama, em um encontro arrebatador, Daniel e Ibrahim El-Magd se encontram em um confronto de tirar o fôlego. Daniel consegue achar as doze pedras e é obrigado – por força das circunstâncias que só lendo o livro você vai saber – a entregá-las ao terrorista. O peitoral do sacerdote é totalmente preenchido com as doze pedras, mais o Urim e o Tumim e, finalmente, depois de séculos, é possível ouvir a voz de Deus e ver a sua face.

      E então acontece.

      Ibrahim veste o peitoral e finalmente conquista seu tão almejado sonho.

      Ibrahim El-Magd finalmente consegue enxergar a face de...

      Espera! Essa não pode ser a face de Alá! Não pode! Não pode!

      Não!!!

      Antes, porém, do terrorista usar o peitoral, Daniel também o faz. Ele agarra o peitoral com força e o coloca sobre o peito. Para ele, entretanto, realmente a face de Deus é revelada. Mas Deus tinha algo inesperado para lhe dizer.

      E o que Ele diz mudou a vida de Daniel completamente.

      E a minha também.

      E talvez a sua.