Marla leva a vida que toda jovem gostaria de ter. Bonita, com a carreira em um consultório veterinário bem encaminhada e morando sozinha em um apartamento alugado. Aparentemente, tudo está ocorrendo bem em sua vida. Mas as aparências enganam mais do que você pode imaginar.
Vida sentimental? destruída.
Relacionamento com a mãe? arruinado.
Relacionamento com Deus? Pode esquecer.
Essa é a visão que Marla Bianchi tem da vida. Embora profissionalmente tudo pareça correr bem, emocionalmente a vida tem parecido ser bem dura com ela.
Desde a perda do seu ex-namorado, Pedro, Marla não tem tido sorte nos encontros. Já tentou de tudo, sério. Tudo o que você puder imaginar essa menina já tentou para arrumar um namorado. Ela chega a sair com praticamente todos os rapazes do bairro, apenas para descobrir que havia acabado de tomar a pior decisão da sua vida. E por algum motivo, os traumas do relacionamento fracassado com Pedro não saem da sua cabeça. Acredite, também não sairia da sua se você o conhecesse....
Mas as coisas começam a melhorar quando um novo vizinho se muda para o seu prédio. Benjamim Pompermayer. Tudo bem, esse sobrenome é estranho. Mas quer saber? O retrato que a autora pintou desse personagem pode ser descrito de várias maneiras diferentes, menos "estranho"! Ben é o personagem mais cativante da história. Ele é, digamos, o tipo de amigo que eu gostaria de ter quando era pequeno. O primo com quem eu gostaria de brincar desde a infância. E, se você for uma mulher, certamente ele seria o cara por quem você não teria dificuldade alguma em se apaixonar. Atencioso, cristão e respeitoso. Um cara que eu aceitaria de muito bom grado que namorasse minha futura filha.
Formado em educação física, Ben não teve tanta sorte na carreira quanto Marla. Por isso, decidiu trabalhar ativamente como fotógrafo. Ele faz ensaios de aniversários, casamentos e muitos outros eventos. Com o aumento dos rendimentos, ele decidiu alugar um apartamento bem em frente ao de Marla. E tudo começa a mudar gradativamente na vida dos dois. Sem contar o cachorrinho chamado Chaplin que vive clandestinamente dentro do apartamento de Ben. Mas não conte isso a ninguém, tá? Esse é um segredo que somente Ben, Marla e eu sabemos.
E agora você.
Existe também um personagem muito interessante nessa história. O elevador!
Sim, para mim o elevador do prédio foi praticamente um personagem dessa história. Boa parte dos acontecimentos mais engraçados e cativantes ocorreram dentro daquele bendito elevador do prédio! Sempre que algum ou mais de um personagem apertava o botão do elevador para ir ao seu andar, alguma surpresa totalmente inesperada acontecia ali dentro. Ri muito dentro dele. Se você for ler esse livro, não leia perto de alguém. Você não irá querer que as pessoas te vejam rindo sozinho. :)
E temos também o Souza, um veterano de guerra. Após ter lutado bravamente na Segunda Guerra Mundial, ele não consegue esquecer alguns dos traumas e algumas das imagens gravadas em sua mente. Pesadelos do passado corroem a sua mente dia e noite. Por algum motivo, o ex-combatente se sente culpado por não ter protegido a vida de uma italiana que ele encontrou abandonada em meio aos campos da guerra. Ele a levou em segurança até um abrigo, mas depois que a deixou ir embora com alguns militares, recebeu notícias de que seu trem havia sido bombardeado pelos nazistas.
Souza nunca mais se perdoou.
Mas será que essa italiana morreu mesmo?
Em meio a todo esse burburinho, Ben vai estreitando sua amizade com Marla enquanto tenta falar do amor de Deus para ela. Porém o coração da garota está duro demais para aceitar um Deus que aparentemente permanece alheio à tanta dor no mundo sem fazer absolutamente nada. A menina acredita que se Deus realmente existe, e se Ele realmente se importa com a humanidade, por que ele não toma alguma atitude em relação a tanta maldade? Por que ficar parado quando se tem tanto poder para impedir tudo?
De alguma maneira, as histórias de Ben Pompermayer, Marla Bianchi e Souza se entrelaçam de uma forma impressionante. Ao chegar no final da história você chega a ficar de boca aberta. É um final completamente diferente de tudo o que você poderia esperar. Ao longo de todo o livro começamos a tentar adivinhar o final ligando os pontos e os romances entre os personagens, porém à medida que a história vai se destrinchando, percebemos que a autora não foi tão ingênua a ponto de nos deixar adivinhar o final assim tão fácil.
Amor.
Traição.
Estupro.
Tudo isso se junta em uma história gostosa, agradável e muito reflexiva que nos faz analisar a nós mesmos o tempo todo. O nome "Os espinhos de uma rosa" é uma alusão aos dois personagens principais. Ben e Marla. Marla é como uma rosa, porém rodeada de espinhos. Ninguém consegue se aproximar dela até que esses espinhos sejam aparados. E é isso o que acontece nessa história emocionante.
Minha opinião
Confesso que esse livro superou as minhas expectativas. Eu já havia lido um livro da Priscilla Reis antes. O famoso "Viajantes do Tempo" ganhador do prêmio de literatura da Secretária de Cultura do Estado do Espírito Santo. Mas esse chegou a superá-lo, e muito!
Em se tratando de um livro publicado de maneira independente, sem apoio de qualquer editora, costuma-se esperar uma história fraca e com vários erros gramaticais. Não foi isso o que aconteceu. Pelo contrário, o livro foi escrito de uma maneira tão cuidadosa que fica até difícil diferenciar um livro profissional publicado por uma editora de grande porte e esse.
Ao longo da leitura eu mandei alguns e-mails para a autora colando trechos favoritos que mais me emocionaram. Eu ri muito com a história, mas também passei por momentos tensos. Os pesadelos que Souza tem ao longo da história são descritos de maneira primorosa, dando a impressão de estarmos realmente dentro de um cenário de guerra. Fiquei até surpreso com o fato de uma autora tão jovem como a Priscilla conseguir descrever um cenário de guerra com trincheiras, armas e tiros com tamanho nível de detalhe.
Em muitos momentos da história eu me senti como se estivesse "dentro da cena" tamanho era o nível de detalhe dos cenários e dos ambientes. Não tenho dúvida alguma de que a autora tem um dom nato para escrever romances.
Esse livro, na minha opinião, deveria ser publicado por uma editora de grande porte e impresso fisicamente. Ele é uma verdadeira obra de arte.




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